Words Written to None, Lyrics Sung to NowhereO primeiro traço de um desenho. O "zero" antes do "um" e o silêncio antes da canção. O choro para a respiração, a semente para a folha, a tempestade da gota e o vento para o furacão.
Nada será verdadeiro, como a sensação de um sonho ou pesadelo. Logo, nada será bom, pois nenhum começo é tão bom assim, todo começo sempre chega a um fim e todo fim é algo sempre ruim.
O bom e o ruim, o bem e o mal, o preto e o branco, a planta e o animal.
Me esquecerei e esquecerei do mundo, assim poderei brincar com as palavras, sairei do escuro canto fundo, sem medo de repressão ou preconceito. Meu lugar, meu refúgio, onde sinto o poder, onde bato no peito. Onde nada importará, nada do que vou fazer ou que já tenho feito. Não quero causar doenças, nenhuma que nenhum remédio tenha efeito e também não quero concertar o que, de natureza, já tem defeito.
Reclame do mundo, reclame de todo mundo, reclame da vida e desse lugar imundo.
Reclame do tempo e da última hora. Reclame da fila, reclame da demora, faça de tudo... mas não vá embora.
Logo chegará a sua hora, esquecerão de você, esquecerão do que fez, esquecerão de onde você mora, quem você namora.
Enquanto todos se uniformam, vou descalço para outro lugar... e vou sem pensar. Não é nenhum lugar bonito, nenhum lugar com vista para o mar, não dá para ver o sol nascer, nem se deitar. Mas será o MEU lugar, onde poderei respirar, chorar, pular, cantar, brincar e até... rimar.
Não vou olhar pra trás, ontem já está mais distante do que posso imaginar. E se o mundo de que tanto você reclama acabar? Hoje, você já pensou quem abraçar? Se esse mundo imundo sumir? Já pensou pra onde ir? Se tudo secar? Todos os oceanos, mares e rios... Hoje, você já sorriu? Sua música preferida, já ouviu?
Se perder a audição, poderá ver com mais clareza a beleza da tristeza?
Se perder a visão, irá sentir as pessoas com mais atenção? Fará contato? Com o tato... com as mãos?
Se parar de cantar, irá perceber que os olhos sorriem e os mesmos podem chorar...
É o que faço... e só o que faço, enquanto escrevo, me despedaço...