quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Cíclico

Há muito tempo, havia perdido uma caneta e não sabia nem por onde começar a procurá-la. Sem ela, perdi horas e momentos importantes.

Em vão, pensei em milhões de versos que sumiram e não puderam me fazer companhia.

Sozinho... tentei escrever com outras ferramentas:

Pedra e carvão, guaches e pincéis, saco de pão e até mesmo em outros papéis.

Mas não reconhecia minhas próprias palavras, minhas companheiras, meus meios de buscar alguém, jeitos únicos de diminuir distâncias.

Até que certo dia a reencontrei e, já com a tinta no fim, percebi que o que ela queria não era estar perdida, mas ser para sempre.

Aprenderei outros meios em outras palavras, que me reconheçam e que voltem como eu voltei. Como sempre voltei, porque escrever não é um estado, não se escreve uma vez e pára...

É cíclico e não depende de uma caneta, mas de inspiração

Então, com a penúltima gota escrevo aqui.

Porque fico com a última e, agora, não a perco mais!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Contrários

Aquele malvado já amou alguém
Eo româmtico pode não ter ninguém
As rosas podem ser negras
Desrespeitando a maaioria das regras
Os pássaros sempre quiserem mergulhar
E os peixes também podem sonhar
Mesmo sem voar
Como nós fazemos ao nos olhar
Nada é feito só de um mol
E a lua só brilha por causa do sol
Nenhum amor é perfeito
Porque nenhum amor mais é feito
Como tudo que é fabricado
O coração já nasce quebrado
A hora parece curta
Enquanto não curtimos o minuto
E mesmo que seja oculta
A nossa vida valeu muito

domingo, 20 de junho de 2010

De canários e andorinhas a corujas e gaviões

Ontem usavamos a palavra "cheio", hoje, é tudo saturado. Quem tinha o coração ferido, agora, está dilacerado. Antes, andávamos confusos, hoje, andamos no caminho errado. Ontem o sol se punha no horizonte, hoje, o crepúsculo não tem lado.

Os pássaros eram pássaros e os cachorros eram cachorros, viamos isto numa praça e achávamos a maior graça, hoje distinguimos cada espécie e cada raça e, com raça, queremos a sabedoria, buscamos a melhoria. Mas esquecemos da simplicidade, da nossa cidade, da nossa idade.

A produção na fábrica dos poetas foi uma só e agora as estrofes viraram pó. Os músicos também não usam mais uma simples Dó. Hoje toda piada já é antiga e ninguém mais reza para o mesmo deus. Hoje a risada é forçada, porque doloroso é o adeus.

Nunca mais nos perguntamos: "onde estamos?". Porque nunca gostamos do nosso lugar, do nosso lar, nós nos acomodamos e preferimos reclamar...

A rádio não toca mais nada que a gente gosta, porque a gente já não gosta de mais nada. A gente perde a pessoa amada e ama outra, que também já foi amada, e que também já foi perdida. Como uma música que já foi tocada e esquecida.

Hoje nós casamos por casar. E ainda pagamos por divórcio. Compramos a felicidade por consórcio e acordamos no dia seguinte sem remorço.

Não admitimos o que deve ser admitido, porque achamos que é mais bonito o único troféu de ouro adquirido, do que o milhão de derrotas sofrido.

Os pombos não são mais correio, estão enjaulados... e ninguém visita mais o zoológico. É lógico! Vistos na natureza, com certeza, são mais interessantes entregando cartas ao vento do que esperando, que passe logo, o seu tempo.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O Melhor Pesadelo

Quando acordei, fiz questão de lembrar de todos os detalhes, mesmo que os nossos sonhos pareçam sumir quando colocamos o pé pra fora da cama. Eu quis lembrar, e lembrei...

Demorei mais do que o esperado para me aprofundar no sono e sabia que o dia seguinte seria pesado por conta disso, mas não me arrependo, tive a oportunidade de conhecer outro mundo, não o meu, não o nosso. Apenas outro... Um ambiente inexplicável. O qual sempre procurei na vida real. Lá, me senti bem, mesmo que tenha sido um pesadelo.

Comecei a caminhar por um parque, uma cidade pequena, geograficamente quadrada. Suas entradas ficavam nas quatro pontas. Me lembro de já ter estado por ali. Mas da outra vez, as folhas eram secas e tudo estava morto. Desta, as folhas também não eram verdes, mas brilhavam como ouro e o vento fazia o balanceio do calor, igualmente aos melhores dias de primavera, daqueles que não precisamos usar um casaco, mas que também não precisamos ficar sem roupa.

Da outra vez, o pesadelo tinha sido pior, cachorros mortos estavam espalhados pelo chão da cidade, mas ontem, eles estavam bem, corriam e brincavam juntos. Eram cachorros de rua, mas eram meus também. Eu podia sentir uma certa telepatia com eles. E eles me sentiram também.
Pensei estar invadindo o território deles, mas eles sorriram pra mim a cada passo para dentro da cidade. Como se eu pudesse entender os animais, como um druida faz.

Mais a frente eu me via caminhando na grama, do melhor tom de verde e cheiro de piquenique. Café feito na hora e um bolo daqueles que nossas mães fazem bem no finzinho da tarde.

Caminhava mais...

Aquele mundo e todo o seu ambiente me atraia. E eu ia. Cada vez mais para o centro. Acima da grama perfeita, estavam algumas pedras polidas. Eram túmulos. O melhor cemitério que eu podia visitar, era calmo, não era sombrio, nem amedrontador, era convidativo. E, por lá, decidi ficar. Até acordar, assustado como qualquer pessoa, quando acorda de um pesadelo. Estava assustado, mas queria voltar pra lá... Não entendo. E não preciso entender, mas eu me sentia bem. Não tinha fome, não tinha frio, não me sentia sozinho e também não me sentia ferido.

Acordei e fui trabalhar...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Corpo de Fundo

Por que a dor se acumula e a felicidade é passageira? Por que bons momentos não são vendidos em qualquer feira? Por que só aprendemos a medir o peso de uma montanha e sua beleza depois de sentirmos, de uma pluma, sua leveza? Por que precisamos chorar para aprender a sorrir? E por que calejar para não se ferir?

Por que choramos mais de uma vez por coisas que não valem a pena? Por que vivemos sempre em dilema? Por que nossa vida não é igual a de cinema?

A dor é certa e a felicidade é duvidosa, e não arriscaremos, por algo incerto, o que já temos.
As pessoas preferem não arriscar a dor que já têm, por uma dúvida de algo melhor, com medo de ficar pior. É como apostar as fichas que não tem, para ganhar um prêmio pela metade. Meia felicidade.

Cada rodada te cobra um pouco, cada dia te destrói um pouco.

Enquanto todos se saturam da insanidade do mundo... eu me sinto a sobra, o corpo de fundo.