segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Contrários

Aquele malvado já amou alguém
Eo româmtico pode não ter ninguém
As rosas podem ser negras
Desrespeitando a maaioria das regras
Os pássaros sempre quiserem mergulhar
E os peixes também podem sonhar
Mesmo sem voar
Como nós fazemos ao nos olhar
Nada é feito só de um mol
E a lua só brilha por causa do sol
Nenhum amor é perfeito
Porque nenhum amor mais é feito
Como tudo que é fabricado
O coração já nasce quebrado
A hora parece curta
Enquanto não curtimos o minuto
E mesmo que seja oculta
A nossa vida valeu muito

domingo, 20 de junho de 2010

De canários e andorinhas a corujas e gaviões

Ontem usavamos a palavra "cheio", hoje, é tudo saturado. Quem tinha o coração ferido, agora, está dilacerado. Antes, andávamos confusos, hoje, andamos no caminho errado. Ontem o sol se punha no horizonte, hoje, o crepúsculo não tem lado.

Os pássaros eram pássaros e os cachorros eram cachorros, viamos isto numa praça e achávamos a maior graça, hoje distinguimos cada espécie e cada raça e, com raça, queremos a sabedoria, buscamos a melhoria. Mas esquecemos da simplicidade, da nossa cidade, da nossa idade.

A produção na fábrica dos poetas foi uma só e agora as estrofes viraram pó. Os músicos também não usam mais uma simples Dó. Hoje toda piada já é antiga e ninguém mais reza para o mesmo deus. Hoje a risada é forçada, porque doloroso é o adeus.

Nunca mais nos perguntamos: "onde estamos?". Porque nunca gostamos do nosso lugar, do nosso lar, nós nos acomodamos e preferimos reclamar...

A rádio não toca mais nada que a gente gosta, porque a gente já não gosta de mais nada. A gente perde a pessoa amada e ama outra, que também já foi amada, e que também já foi perdida. Como uma música que já foi tocada e esquecida.

Hoje nós casamos por casar. E ainda pagamos por divórcio. Compramos a felicidade por consórcio e acordamos no dia seguinte sem remorço.

Não admitimos o que deve ser admitido, porque achamos que é mais bonito o único troféu de ouro adquirido, do que o milhão de derrotas sofrido.

Os pombos não são mais correio, estão enjaulados... e ninguém visita mais o zoológico. É lógico! Vistos na natureza, com certeza, são mais interessantes entregando cartas ao vento do que esperando, que passe logo, o seu tempo.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O Melhor Pesadelo

Quando acordei, fiz questão de lembrar de todos os detalhes, mesmo que os nossos sonhos pareçam sumir quando colocamos o pé pra fora da cama. Eu quis lembrar, e lembrei...

Demorei mais do que o esperado para me aprofundar no sono e sabia que o dia seguinte seria pesado por conta disso, mas não me arrependo, tive a oportunidade de conhecer outro mundo, não o meu, não o nosso. Apenas outro... Um ambiente inexplicável. O qual sempre procurei na vida real. Lá, me senti bem, mesmo que tenha sido um pesadelo.

Comecei a caminhar por um parque, uma cidade pequena, geograficamente quadrada. Suas entradas ficavam nas quatro pontas. Me lembro de já ter estado por ali. Mas da outra vez, as folhas eram secas e tudo estava morto. Desta, as folhas também não eram verdes, mas brilhavam como ouro e o vento fazia o balanceio do calor, igualmente aos melhores dias de primavera, daqueles que não precisamos usar um casaco, mas que também não precisamos ficar sem roupa.

Da outra vez, o pesadelo tinha sido pior, cachorros mortos estavam espalhados pelo chão da cidade, mas ontem, eles estavam bem, corriam e brincavam juntos. Eram cachorros de rua, mas eram meus também. Eu podia sentir uma certa telepatia com eles. E eles me sentiram também.
Pensei estar invadindo o território deles, mas eles sorriram pra mim a cada passo para dentro da cidade. Como se eu pudesse entender os animais, como um druida faz.

Mais a frente eu me via caminhando na grama, do melhor tom de verde e cheiro de piquenique. Café feito na hora e um bolo daqueles que nossas mães fazem bem no finzinho da tarde.

Caminhava mais...

Aquele mundo e todo o seu ambiente me atraia. E eu ia. Cada vez mais para o centro. Acima da grama perfeita, estavam algumas pedras polidas. Eram túmulos. O melhor cemitério que eu podia visitar, era calmo, não era sombrio, nem amedrontador, era convidativo. E, por lá, decidi ficar. Até acordar, assustado como qualquer pessoa, quando acorda de um pesadelo. Estava assustado, mas queria voltar pra lá... Não entendo. E não preciso entender, mas eu me sentia bem. Não tinha fome, não tinha frio, não me sentia sozinho e também não me sentia ferido.

Acordei e fui trabalhar...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Corpo de Fundo

Por que a dor se acumula e a felicidade é passageira? Por que bons momentos não são vendidos em qualquer feira? Por que só aprendemos a medir o peso de uma montanha e sua beleza depois de sentirmos, de uma pluma, sua leveza? Por que precisamos chorar para aprender a sorrir? E por que calejar para não se ferir?

Por que choramos mais de uma vez por coisas que não valem a pena? Por que vivemos sempre em dilema? Por que nossa vida não é igual a de cinema?

A dor é certa e a felicidade é duvidosa, e não arriscaremos, por algo incerto, o que já temos.
As pessoas preferem não arriscar a dor que já têm, por uma dúvida de algo melhor, com medo de ficar pior. É como apostar as fichas que não tem, para ganhar um prêmio pela metade. Meia felicidade.

Cada rodada te cobra um pouco, cada dia te destrói um pouco.

Enquanto todos se saturam da insanidade do mundo... eu me sinto a sobra, o corpo de fundo.

sábado, 10 de abril de 2010

Estranhesa

O que pode significar uma concha para alguém? Uma simples concha. Produzem pérolas e são esquecidas, são feitas em par e são divididas. O que pode significar uma concha pra mim?...

Como é egoísta a sociedade em definir todas as coisas com padrões. Alguém é bonito só porque a maioria vota sim? Ir ao cinema todo final de semana é normal depois de uma semana estressante de trabalho?

O que é normal pra mim pode não ser normal pra você. E entendo, não é normal ganhar uma concha de presente... mas um presente pode ser definido como "qualquer coisa", não pela sociedade, mas por ganha, ou por quem dá. Qualquer coisa pode ser um presente, ainda mais se esse presente tiver um nome.

Daqui pra frente, não espere ganhar presentes no seu aniversário, nem chocolate na páscoa, não serei "normal", como nunca fui. Ao contrário, receberá ligações num dia qualquer, um presente sem data marcada, uma expressão espontânea de carinho, e somente isso. Por que não se junta pontos de atenção para gastá-los num dia só...

Como diriam alguns amigos, a vida não para por aqui. E realmente...

Subir ao topo do monte Everest é cansativo, e a vista vale a pena, mas depois teremos que descer, não podemos viver lá pra sempre, e para onde iremos depois? Eu iria para as Muralhas da China e depois ao prédio mais alto de Nova Iorque, e depois ainda não sei, contanto que você esteja junto, qualquer lugar será ideal, como qualquer presente normal.

O homem que ama de verdade sabe como perder sua mulher, mas não por fazer bobeira, mas sim para ter o desafio de reconquistá-la no dia seguinte, que pode ser o último, como pode ser só mais um. O problema é que ainda não inventaram uma máquina que nos avise. Este homem terá chance e a coragem de dizer: Sim conquistei apenas uma mulher... várias vezes"

Então não é preciso ir até Nova Iorque ou até a China, basta escalar o monte Everest outra vez. Por que? Porque este homem ama o monte Everest e não precisa da visão de outra montanha.

Amar quando se deve, intensamente, assim devia ser... estranho... mas devia...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Não sei como dizer...

É... não, sim... talvez eu possa não ter a certeza de que possivelmente, eu não saberia, obviamente, dizer palavras que, muito, ou pouco, sem sombra de dúvidas eu possa, algum dia, dizer. Diferentemente da maneira que me encontro agora, provavelmente, conseguiria dizer tudo, ou o pouco que tenho a dizer, dizer que, se pararmos bem para pensar, você pode imaginar que eu sem querer, possa, ou não, saber como dizer o que quero. Ou não quero, porque não sei mais se ainda é a mesma coisa que que um dia já foi.
Muitas vezes, ou poucas, eu não tenho certeza de que falar é a melhor, ou pior, opção, a única coisa que anda óbvia é que eu não estou bem, não estou normal, estou confuso, ou o mundo que me confundiu, de um jeito ou de outro, acho que acabo falando quando não sei mais o que dizer, e mesmo tendo muito o que falar, eu não digo nada, porque se desconfiar, nem a melhor maneira para dizer eu sei... então não digo...

domingo, 28 de março de 2010

Ontem

Ontem

Posso me lembrar como se fosse ontem, posso me lembrar de estar com ela, posso me lembrar das conversas na janela, da chuva do lado de fora e de observá-la a toda hora. Eu me lembro como se fosse ontem, esperando não fazer nada, e mesmo assim, fazer de tudo. Estar mudo...
Mais vergonhosa do que eu devia estar a lua, que se escondeu, não me acompanhou e não apareceu, ficou atrás da nuvem, me lembro de ontem...
Lembro de invadir parte da sua vida, conhecer seu ambiente. Esquecer do tempo e do dia quente. Estar doente... e mesmo assim estar presente. Um dia diferente, um dia reservado pra gente.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Hipocondria

Não existem remédios de álcool que curem a minha sobriedade
Nem remédios da sua presença que acabem com essa saudade
Não tomo pílulas de frio para ter o calor dos seus abraços
E fico sem as aspirinas do seu rosto para me lembrar dos seus finos traços
Não conheço remédios que guardem a chuva em dias doentes de verão
Também não conheço a sua vida fulminante que me acelera o coração

Não existem remédios sabor de mel para a doce presença de uma mulher
Mas existem remédios de chocolate só porque ela quer

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Uma Pena Na Mão

Sempre fui de admirar como os pássaros conseguem voar, com aquela leveza, sem se esforçar. E imagino como deve ser: sentir o vento bater, ter qualquer direção pra ir, olhar para o horizonte e seguir...

Certa noite, um passarinho veio me atormentar, me enganar, disse que queria andar, trocaria minhas pernas pra eu poder voar. Não pensei mais de uma vez e não sei o que ele fez, na verdade nem pensei, nessa hora...me condenei.

- Espera-te o dia, voar a noite é uma fria. Amanhã procure o ponto mais alto e de lá dê um salto.
- Entendi a façanha, amanhã vou até àquela montanha.

Ao final do dia seguinte, não tinha pernas, nem penas, tinha uma dor aguda apenas... Estava, no chão, estirado, largado e enganado.

Aquele que me enganou desapareceu. Outro pássaro, em seu lugar, apareceu. E outra pena me ofereceu...

Por que insisto? Quero voar e não desisto...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Se Você Soubesse

Você tem algo que me tira desse péssimo lugar, você consegue me fazer sorrir quando é impossível piorar. O sol me acorda com a sua brasa, me põe pra fora de casa, fecha-me a porta e me faz enfrentar essa sociedade morta. Onde vivem para trabalhar e trabalham para sobreviver, onde a infância fica na infância e o pior é ter que esquecer. Os finais de semana se tornam a hora de dormir e seus animais de estimação só passam a latir.

Isso, em você, não cabe, você é muito mais...

e não sabe...

Hoje vou viver diferente, vou estar um passo a frente, vou sair do presente e te dar um presente. Vou roubar suas frases escondidas e as devolverei respondidas... Outro enigma que começa, outro espetáculo, outra peça:

- Se eu abrir os olhos você jura não partir?
- E quando eu fechá-los também continuará aqui?

- Me faz tocar o céu ver você sorrir
- Imaginar nossa imortalidade é se divertir.

- Sorrir e chorar, e ter alguém pra compartilhar
- É mais do que saber viver... é sonhar...

- Sentir o sabor do vento olhando para o mar.
- Sentindo-o no balanço lento, imaginando-o a cantar.

- Veja a vida de outro jeito. Nada é fácil, nem é perfeito.
- Nunca te julgaria pelo seu jeito

- E não me julgue por não ser igual.
- Te julgarei por ser o par perfeito...

Ou meu romance fatal...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

9:28 AM de Mais Um Dia Surdo

No caminho, costumava a admirar uma garota que também fechava seus ouvidos com música. Não a conheço, mas posso descrever que, hoje, além da sua blusa branca e seus fones de ouvido com falhas... suas unhas vermelhas e o cabelo preso chamaram a minha atenção.

O dia nem estava frio, mas a blusa fazia parte do conjunto e acho que com a ausência de qualquer uma dessas partes eu não a teria notado.

Mas quem sou eu outra vez? Nem eu mesmo me conheço, tenho segredos que nem eu mesmo sei. E não sei se tenho o direito de quebrar a rotina dela, mas mesmo errado, tentarei.

E se ela estiver lendo essas palavras é porque eu tentei. E peço suas desculpas, mas não é todo dia que isso acontece, não é nem todo dia que eu a encontro.

Como ela pode nunca ter estado aqui, ou achar tudo isso infantil ou talvez voltar ou nem lembrar. Não sei e nunca saberei se não tentar. Sua inexpressividade me ajuda a não conhecê-la. E seus passos rápidos me assustam e afastam qualquer pessoa.

Nem o seu nome eu sei, mas também não preciso saber agora, eu só sei que um pouco de vergonha também fará parte dela... eu espero...

e espero...