segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Óculos Quebrado

Óculos Quebrado

O peso de um problema é o mesmo de uma solução e o preço de uma verdade é igual de uma ilusão.

Por trás desse óculos quebrado, estão meus olhos vesgos, eles observam sua maquiagem que esconde seus olhos meigos. Poesias foram citadas e músicas mal cantadas, palavras escritas nos muros e fachadas, nas suas unhas pintadas e nas suas roupas bem costuradas.

Sou eu, apenas te chamando pra sair, nada demais, apenas pra se divertir. Mas sou eu, aquele que treme, apenas em te ver sorrir. Esse sorriso fatal e imortal que me faz passar mal, que me atira no meio de um labirinto onde escondo o que sinto.

Sua aparência e sua carência andam de mãos dadas desde a adolescência. Seu pior pecado e seu maior desejo, um cabelo bem penteado e seu melhor molejo. No seu pior estado, o nosso primeiro beijo.

...

Ao seu redor, o calor é fresco e o frio é morno, mas a distância é um transtorno e o caminho errado leva a um retorno. O sol do lado de fora e o relógio me dizendo pra ir embora, mas me salvo no momento, me salvo até agora. Mas outro sol aparece e este não demora.

Agora, me fazem companhia os meus cabelos grisalhos e meus velhos agasalhos, assim como os pombos que comem os migalhos e pousam em outros galhos. Não te vejo mais e não sei como te encontrar, não te dou mais cristais, nem flores pra cheirar. Existem pessoas demais, mas só uma pra esperar...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Clave de Lua


Clave de Lua
Enquanto os músicos se movem e se apresentam em outros países, eu me deito no silêncio e fico em minhas próprias raízes, faço minhas malas, mas não passo da porta do quarto. Onde me infarto e onde me sinto farto.

Tenho medo de perder o show que minha vida reservou. O palco e as cortinas, os tambores e as dançarinas. A platéia? Vazia... espetáculo fantasia. Onde me apresento para mim, onde a vida não é tão ruim.

Mesmo que as luzes se apaguem, os sons continuarão. E mesmo que eles não paguem, as cortinas se abrirão.

Mas talvez não estarei por lá, não a me apresentar, nem a sorrir, nem a imaginar, nem a fingir, nem a cantar. Talvez nem estarei por lá, talvez cancelem o show, talvez me operem agora que sabem o que sou. Talvez esteja a assistir, apreciar. Nem mentir, nem pagar. Pois a entrada custa caro, meu caro. Mas talvez, entradas grátis eu possa arranjar, talvez tudo isso me faça roubar.

O que é tão caro assim? Apenas uma apresentação tão ruim?

Não meu amigo, não sentes tudo isso comigo? São nossas vidas, nossas vontades não vividas, nossas ansiedades na tela da TV, do sofá, assistidas. Nossas vidas raras, nossas entradas caras.
A vida da gente, a minha e a sua, essa vida diferente, essa Clave de Lua.

domingo, 19 de outubro de 2008

Keep Spinning Around With Your Low Cure


Keep Spinning Around With Your Low Cure...
Remédios e curas, doenças e loucuras.
Por que temos a sensação de girar quando pensamos demais? Só por isso nos diferenciamos dos outros animais? Também temos instintos e agimos por impulso, às vezes tomamos a mesma raiva de um urso.
Mas continue girando e continue tentando, talvez encontre uma maneira diferente de pensar, algo que valha a pena tentar, pois, peço desculpas, eu só sei falar. "Falar", outra coisa para nos diferenciar? Mas os animais também sabem se comunicar e fazem isso melhor do que se eu ligar no seu celular...
Já sei! Voar! Não, não adianta... temos aviões e sabemos pilotar. Mas então! Deles, o que não vamos copiar?
Talvez nada... somos todos seres vivos e mesmo diferentes na aparência, buscamos sempre a mesma coisa: a sobrevivência!
Diabetes e resfriados, humanos mal tratados.
Cânceres e tumores, a cura? Rumores.
E a loucura? Tem cura?
Uma hora sua mente é clara, na outra é escura.
Não tenha medo, afinal, a loucura não é uma doença fatal, é só um estado mental. Então continue a caminhar, não se afaste e não te afastarão, loucura é achar que tudo é normal, então verá uma diferença total, você vai ter seus resfriados e suas alergias, mas será igual, não será diferente de mim nem de qualquer outro animal.

Words Written to None, Lyrics Sung to Nowhere


Words Written to None, Lyrics Sung to Nowhere


O primeiro traço de um desenho. O "zero" antes do "um" e o silêncio antes da canção. O choro para a respiração, a semente para a folha, a tempestade da gota e o vento para o furacão.

Nada será verdadeiro, como a sensação de um sonho ou pesadelo. Logo, nada será bom, pois nenhum começo é tão bom assim, todo começo sempre chega a um fim e todo fim é algo sempre ruim.

O bom e o ruim, o bem e o mal, o preto e o branco, a planta e o animal.

Me esquecerei e esquecerei do mundo, assim poderei brincar com as palavras, sairei do escuro canto fundo, sem medo de repressão ou preconceito. Meu lugar, meu refúgio, onde sinto o poder, onde bato no peito. Onde nada importará, nada do que vou fazer ou que já tenho feito. Não quero causar doenças, nenhuma que nenhum remédio tenha efeito e também não quero concertar o que, de natureza, já tem defeito.

Reclame do mundo, reclame de todo mundo, reclame da vida e desse lugar imundo.
Reclame do tempo e da última hora. Reclame da fila, reclame da demora, faça de tudo... mas não vá embora.
Logo chegará a sua hora, esquecerão de você, esquecerão do que fez, esquecerão de onde você mora, quem você namora.

Enquanto todos se uniformam, vou descalço para outro lugar... e vou sem pensar. Não é nenhum lugar bonito, nenhum lugar com vista para o mar, não dá para ver o sol nascer, nem se deitar. Mas será o MEU lugar, onde poderei respirar, chorar, pular, cantar, brincar e até... rimar.

Não vou olhar pra trás, ontem já está mais distante do que posso imaginar. E se o mundo de que tanto você reclama acabar? Hoje, você já pensou quem abraçar? Se esse mundo imundo sumir? Já pensou pra onde ir? Se tudo secar? Todos os oceanos, mares e rios... Hoje, você já sorriu? Sua música preferida, já ouviu?

Se perder a audição, poderá ver com mais clareza a beleza da tristeza?
Se perder a visão, irá sentir as pessoas com mais atenção? Fará contato? Com o tato... com as mãos?

Se parar de cantar, irá perceber que os olhos sorriem e os mesmos podem chorar...

É o que faço... e só o que faço, enquanto escrevo, me despedaço...