terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Teimosia

Teimosia é estar sentado debaixo de uma árvore, esperando que o dia esfrie. Teimosia é se encher de cafeína e esperar que o sono vá embora. Teimosia é querer seu abraço enquanto está distante. É querer sentir o seu aroma sem estar perto, ou não querer senti-lo quando te abraçar. Teimosia é juntar folhas do chão e torcer para que o outono não acabe. Teimosia é amar você...

Mas amar você não é simplesmente lembrar... é não te esquecer.
Amar você não é estar perto, mas nunca estar longe.
Amar você é mais do que ser perfeito, é ser ideal.
Amar você não é ao máximo possível, e sim o suficiente.
Amar você, é gostar de cada parte que te compõe.
Amar você é querer que o tempo estacione.

Mas querer que o tempo estacione é teimosia...

E eu quis que ele parasse... pois sou teimoso. E por ser teimoso te amei, mesmo quando não queria, quando não podia. Isso é teimosia...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Ontem está longe...

Ontem, eu tive que contar cada estrela do céu pra ter certeza de que o dia tinha acabado. Ontem eu tive que contar todos os quadros da nossa casa pra saber que você tinha ido embora. Ontem eu reprogramei todos os relógios que estavam fora de hora, assim saberia a hora certa de me despedir. Ontem eu joguei xadrez com todas as crianças, assim sabia que elas são mais inteligentes do que eu. E perdi todas as partidas. Ontem eu contei cada folha que caiu da minha árvore, assim sabia que o outono estava acabando, e ainda ontem pedi para que o dia não terminasse, porque sabia que o outono te levaria junto com ele. Ontem fechei todas as janelas e me arrisquei a olhar diretamente para o sol, mesmo correndo o risco de ficar cego, teria a certeza do seu calor. Ontem nenhum ventilador podia imitar o vento dos seus lábios soprando ao pé do meu ouvido, dizendo o que eu nunca tinha escutado. Ontem foi o dia em que não choveu, ontem foi o dia em que tudo estava diferente, ontem eu me afoguei nas lágrimas que ainda não derramei e ontem já passou... apesar de tudo, ontem eu fiz tudo o que tinha que fazer e ainda sinto que fiz pouco... que não fiz nada... ontem eu estava com você... e o tempo nos carregou como barquinhos de papel num rio violento... Ontem te abracei por um segundo e já tive que ir embora, mesmo antes de dizer ao dia para me esperar, mesmo se dissesse, não o faria, como não o fez... ontem está longe...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Vento Noturno

Chorarei por te perder como o Hidrogênio chora em dobro para o Oxigênio

O vento provavelmente deve ter as levado outra vez, mas de algum jeito, não as trouxe de volta. Onde foi que estiveram? E por que me deixaram? Também não sei se realmente partiram, mas tenho certeza de que por um bom tempo não as tenho visto... mas hoje... hoje mato a saudade...

Falo das palavras que me descasam, desses versos que me abandonam e vão embora como filhotes que saem de casa para enfrentar o mundo de papel...

Desejo-lhes boa sorte, que encontrem uma boa carta, ou um poema que chora, ou que faz chorar, que me deixem sabendo que irão voltar, pois vou esperar...

E esperei...

Mas mesmo que não voltem, eu preciso estar sempre criando, ou é a criatividade que me criará?

Já não me faz mais sentido ter que destinar o vento, mesmo ele que nunca tenha me obedecido. Não se controla uma coisa natural, nem o vento, nem a chuva, nem o fogo, nem as estrelas, nem as cores, nem as flores... mesmo que artificiais, sem aroma, nunca serão iguais.

Nessa hora o vento me olhou e deu uma piscadela, como quem sabe o que deve fazer. Apagou a vela, deixando nosso céu anoitecer...