terça-feira, 21 de outubro de 2008

Clave de Lua


Clave de Lua
Enquanto os músicos se movem e se apresentam em outros países, eu me deito no silêncio e fico em minhas próprias raízes, faço minhas malas, mas não passo da porta do quarto. Onde me infarto e onde me sinto farto.

Tenho medo de perder o show que minha vida reservou. O palco e as cortinas, os tambores e as dançarinas. A platéia? Vazia... espetáculo fantasia. Onde me apresento para mim, onde a vida não é tão ruim.

Mesmo que as luzes se apaguem, os sons continuarão. E mesmo que eles não paguem, as cortinas se abrirão.

Mas talvez não estarei por lá, não a me apresentar, nem a sorrir, nem a imaginar, nem a fingir, nem a cantar. Talvez nem estarei por lá, talvez cancelem o show, talvez me operem agora que sabem o que sou. Talvez esteja a assistir, apreciar. Nem mentir, nem pagar. Pois a entrada custa caro, meu caro. Mas talvez, entradas grátis eu possa arranjar, talvez tudo isso me faça roubar.

O que é tão caro assim? Apenas uma apresentação tão ruim?

Não meu amigo, não sentes tudo isso comigo? São nossas vidas, nossas vontades não vividas, nossas ansiedades na tela da TV, do sofá, assistidas. Nossas vidas raras, nossas entradas caras.
A vida da gente, a minha e a sua, essa vida diferente, essa Clave de Lua.

Um comentário:

Unknown disse...

Se a vida é um espetáculo, devemos sair de trás das cortinas, não ter medo do holofote e encher a platéia com as melhores pessoas que já conhecemos. O roteiro será improvisado e a trilha sonora pode ser ao vivo, gravada e ou ausente. Só não deixe de estrelar o seu show e cobre caro, não é uma apresentação ruim!

É, tá de madrugada, momento brisante aqui! HAAHAHHA Até parece que eu sou POSITIVA em relação a vida Oo haahahahaha favor ignorar.