segunda-feira, 21 de setembro de 2009

My Old Box of Things...

Dentro de nós existe um lugar onde gostamos de deixar guardado o que mais nos agrada, coisas que não podemos contar pra ninguém, coisas que não conseguimos contar pra ninguém... e é lá que ficarão guardadas as cartas que nunca escrevi, os abraços que nunca ofereci, os caminhos que não andarei, as vontades que já tive, os olhares que nunca troquei e infinitamente os beijos que não provei. Hoje morre um herói que leva com ele as bandeiras de quem já salvou, hoje morre um menino sonhador, e com ele, a noite de luz acesa que se apagou.

Tenho medo de ir dormir, meu mundo não precisa mais desse herói, talvez um óculos quebrado e aquele jeito meio desastrado ainda me sirvam. Um tenis furado e uma calça jeans qualquer também.

Afinal, Quantas pancadas já me atingiram? Quantas pedras que viraram cometas? Quantas lanternas já não imitaram a luz da lua? Com uma faísca, fiz fogo... com três paredes, fiz uma casa...

Esperei que o sol beijasse o mar outra vez, que a varanda da minha casa se tornasse o lugar mais alto do mundo. Que as folhas verdes não caíssem no outono. Esperei que meu telefone tocasse, que o carteiro gritasse o meu nome, que a cadeira do meu lado estivesse ocupada, que o travesseiro do meu lado não estivesse vazio. Esperei por chuvas no deserto e por calor nos pólos.

Mas o sol não tem boca, minha casa não tem varanda, as folhas no outono já são de outra cor, meu telefone tem a conta vencida, meu carteiro é eletrônico, meu banco não é de dois lugares, minha cama é de solteiro, o deserto molhado seria de lama, e os pólos derreteriam com o calor.

Agora estou vencido, mal consigo abrir a boca para respirar e todos os músculos do meu corpo ignoram qualquer comando meu. Caídas ao meu lado, estão todas as bandeiras de quem depositou fé no meu personagem, na minha história. Agora já não sou tão forte quanto pensava ser...

Nenhum comentário: