terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Vento Noturno

Chorarei por te perder como o Hidrogênio chora em dobro para o Oxigênio

O vento provavelmente deve ter as levado outra vez, mas de algum jeito, não as trouxe de volta. Onde foi que estiveram? E por que me deixaram? Também não sei se realmente partiram, mas tenho certeza de que por um bom tempo não as tenho visto... mas hoje... hoje mato a saudade...

Falo das palavras que me descasam, desses versos que me abandonam e vão embora como filhotes que saem de casa para enfrentar o mundo de papel...

Desejo-lhes boa sorte, que encontrem uma boa carta, ou um poema que chora, ou que faz chorar, que me deixem sabendo que irão voltar, pois vou esperar...

E esperei...

Mas mesmo que não voltem, eu preciso estar sempre criando, ou é a criatividade que me criará?

Já não me faz mais sentido ter que destinar o vento, mesmo ele que nunca tenha me obedecido. Não se controla uma coisa natural, nem o vento, nem a chuva, nem o fogo, nem as estrelas, nem as cores, nem as flores... mesmo que artificiais, sem aroma, nunca serão iguais.

Nessa hora o vento me olhou e deu uma piscadela, como quem sabe o que deve fazer. Apagou a vela, deixando nosso céu anoitecer...

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