Ontem usavamos a palavra "cheio", hoje, é tudo saturado. Quem tinha o coração ferido, agora, está dilacerado. Antes, andávamos confusos, hoje, andamos no caminho errado. Ontem o sol se punha no horizonte, hoje, o crepúsculo não tem lado.
Os pássaros eram pássaros e os cachorros eram cachorros, viamos isto numa praça e achávamos a maior graça, hoje distinguimos cada espécie e cada raça e, com raça, queremos a sabedoria, buscamos a melhoria. Mas esquecemos da simplicidade, da nossa cidade, da nossa idade.
A produção na fábrica dos poetas foi uma só e agora as estrofes viraram pó. Os músicos também não usam mais uma simples Dó. Hoje toda piada já é antiga e ninguém mais reza para o mesmo deus. Hoje a risada é forçada, porque doloroso é o adeus.
Nunca mais nos perguntamos: "onde estamos?". Porque nunca gostamos do nosso lugar, do nosso lar, nós nos acomodamos e preferimos reclamar...
A rádio não toca mais nada que a gente gosta, porque a gente já não gosta de mais nada. A gente perde a pessoa amada e ama outra, que também já foi amada, e que também já foi perdida. Como uma música que já foi tocada e esquecida.
Hoje nós casamos por casar. E ainda pagamos por divórcio. Compramos a felicidade por consórcio e acordamos no dia seguinte sem remorço.
Não admitimos o que deve ser admitido, porque achamos que é mais bonito o único troféu de ouro adquirido, do que o milhão de derrotas sofrido.
Os pombos não são mais correio, estão enjaulados... e ninguém visita mais o zoológico. É lógico! Vistos na natureza, com certeza, são mais interessantes entregando cartas ao vento do que esperando, que passe logo, o seu tempo.
domingo, 20 de junho de 2010
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