Quando acordei, fiz questão de lembrar de todos os detalhes, mesmo que os nossos sonhos pareçam sumir quando colocamos o pé pra fora da cama. Eu quis lembrar, e lembrei...
Demorei mais do que o esperado para me aprofundar no sono e sabia que o dia seguinte seria pesado por conta disso, mas não me arrependo, tive a oportunidade de conhecer outro mundo, não o meu, não o nosso. Apenas outro... Um ambiente inexplicável. O qual sempre procurei na vida real. Lá, me senti bem, mesmo que tenha sido um pesadelo.
Comecei a caminhar por um parque, uma cidade pequena, geograficamente quadrada. Suas entradas ficavam nas quatro pontas. Me lembro de já ter estado por ali. Mas da outra vez, as folhas eram secas e tudo estava morto. Desta, as folhas também não eram verdes, mas brilhavam como ouro e o vento fazia o balanceio do calor, igualmente aos melhores dias de primavera, daqueles que não precisamos usar um casaco, mas que também não precisamos ficar sem roupa.
Da outra vez, o pesadelo tinha sido pior, cachorros mortos estavam espalhados pelo chão da cidade, mas ontem, eles estavam bem, corriam e brincavam juntos. Eram cachorros de rua, mas eram meus também. Eu podia sentir uma certa telepatia com eles. E eles me sentiram também.
Pensei estar invadindo o território deles, mas eles sorriram pra mim a cada passo para dentro da cidade. Como se eu pudesse entender os animais, como um druida faz.
Mais a frente eu me via caminhando na grama, do melhor tom de verde e cheiro de piquenique. Café feito na hora e um bolo daqueles que nossas mães fazem bem no finzinho da tarde.
Caminhava mais...
Aquele mundo e todo o seu ambiente me atraia. E eu ia. Cada vez mais para o centro. Acima da grama perfeita, estavam algumas pedras polidas. Eram túmulos. O melhor cemitério que eu podia visitar, era calmo, não era sombrio, nem amedrontador, era convidativo. E, por lá, decidi ficar. Até acordar, assustado como qualquer pessoa, quando acorda de um pesadelo. Estava assustado, mas queria voltar pra lá... Não entendo. E não preciso entender, mas eu me sentia bem. Não tinha fome, não tinha frio, não me sentia sozinho e também não me sentia ferido.
Acordei e fui trabalhar...
sexta-feira, 7 de maio de 2010
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